O Brasil e Argentina estão num conflito comercial novamente. Não pára de surpreender que as negociações deixem á luz que o Mercosul precisa se fortalecer.
Mas vendo os argumento dos dois me pareceu que nem sempre existe o cuidado de respeitar a lógica económica. Vamos lá!
Suponhamos que estamos em 1994, começa o Mercosul e o Brasil era muito bom fazendo calças e Argentina era muito boa fazendo camisa. Quando liberarmos o comercio entre os dois é lógico que eles vão negociar entre eles mesmos.
Se nenhum dos dois era bom de fazer cinto, e eles erão importados da China, pode acontecer que a integração económica incentive un dos dois para produzir também o cinto. Na hora que o primeiro cinto argentino é exportado, podemos dizer que houve desvío de comercio, ele era importado pois o custo era menor, porém a China era mais eficiente para o Brasil do que Argentina, falando em fazer cintos. Só que agora, a Argentina tem uma competitividade artificial por causa do Acordo: isto é escencial para definir o desvio.
Então, existe desvío de comercio agora? de fato não, porque o Brasil e a Argentina já colocaram o acordo em função, porém a situação de partida é com os incentivos dele em funcionamento. Aliás, a China não está em situação vantajosa, ela está fora o Mercosul e os seus produtos pagam a maior tarifa possível.
O problema para o Brasil é que tornou-se menos competitivo do que a China no setor têxtil, e isso contando com uma vantagem. Acredito que há razões dos dois lados para isso acontecer.
Em todo caso, pode ser uma ótima oportunidade para aprimorar os mecanismos compensatórios entre os países, e criar políticas duradouras.
quarta-feira, 25 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
O desafio na nossa frente
Não posso deixar de mencionar que li a materia do Sr. Antonio Delfin Netto e achei muito interessante.
Toda vez que o Governo falou sobre a crise, principalmente no início dela, parecia confiante demais. Aí precisamos nos perguntar se são eles tentando passar uma mensagem esperançadora para o povo, ou é o que eles realmente acreditam. As ações posteriores podem dar conta das diferenças.
A nossa taxa Selic precisa cair ainda mais, como já foi dito aqui, mas muitas outras coisas precisam ser replanejadas.
A estimativa de saída de capitais estrangeiros passou de R$ 3bi para R$ 10bi, colocando o assunto no centro da conversa. Se o BC pretende não gerar inflação, talvez seja o momento de se desapegar da idéia que a Selic vá mexer nesse quesito, e atacar o negócio dos capitais.
A nova estrutura bancária será mais uma falência se as nossas energias vão parar só no controle dos gigantes bancários. Não podemos nos esquecer que tanto públicos como privados, grandes e pequenos contribuiram á situação atual, de uma certa estabilidade. Porém, mexer na estrutura não garante que isso vai se repetir, temos de estar alertas!
Por último, é preciso lançar ações concretas para ativar o investimento e consumo e locomover a Economía, pois faltam só 3 trimestres para o Brasil corregir a trajetória com a que começou este ano.
Toda vez que o Governo falou sobre a crise, principalmente no início dela, parecia confiante demais. Aí precisamos nos perguntar se são eles tentando passar uma mensagem esperançadora para o povo, ou é o que eles realmente acreditam. As ações posteriores podem dar conta das diferenças.
A nossa taxa Selic precisa cair ainda mais, como já foi dito aqui, mas muitas outras coisas precisam ser replanejadas.
A estimativa de saída de capitais estrangeiros passou de R$ 3bi para R$ 10bi, colocando o assunto no centro da conversa. Se o BC pretende não gerar inflação, talvez seja o momento de se desapegar da idéia que a Selic vá mexer nesse quesito, e atacar o negócio dos capitais.
A nova estrutura bancária será mais uma falência se as nossas energias vão parar só no controle dos gigantes bancários. Não podemos nos esquecer que tanto públicos como privados, grandes e pequenos contribuiram á situação atual, de uma certa estabilidade. Porém, mexer na estrutura não garante que isso vai se repetir, temos de estar alertas!
Por último, é preciso lançar ações concretas para ativar o investimento e consumo e locomover a Economía, pois faltam só 3 trimestres para o Brasil corregir a trajetória com a que começou este ano.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Povoado pequeno, inferno grande....
Vale a pena ler uma excelente matéria escrita pelo repórter Sérgio Leo para Valor Económico, chama-se "Argentina, o que fazer com esse vizinho".
Preciso lembrar que sou argentino e posso cair no vicio de julgar uma situação dessas desde o coração, mas o mesmo lembrete vale para os brasileiros, não é?
Então, fica claro que a atitude da Argentina sob a questão de importação dos produtos brasileiros é um grande pepino, e ainda mais numa crise dessas.
Não há exemplos mais claros para relembrar que as questões económicas tem efeitos globais, mais as suas causas são locais.
Embora as questões económicas e políticas, não haverá paz entre os vizinhos se não colocarem metas e objetivos para trabalhar junto. Fica difícil manter um matrimonio se não há comunicação, mas fica mais difícil ainda se quando forem dormir, cada um pensa num sonho diferente. O Mercosul pode se fortalezer das nossas diferenças, sempre que elas sejam uma ponte, não o principal obstáculo.
Preciso lembrar que sou argentino e posso cair no vicio de julgar uma situação dessas desde o coração, mas o mesmo lembrete vale para os brasileiros, não é?
Então, fica claro que a atitude da Argentina sob a questão de importação dos produtos brasileiros é um grande pepino, e ainda mais numa crise dessas.
Não há exemplos mais claros para relembrar que as questões económicas tem efeitos globais, mais as suas causas são locais.
Embora as questões económicas e políticas, não haverá paz entre os vizinhos se não colocarem metas e objetivos para trabalhar junto. Fica difícil manter um matrimonio se não há comunicação, mas fica mais difícil ainda se quando forem dormir, cada um pensa num sonho diferente. O Mercosul pode se fortalezer das nossas diferenças, sempre que elas sejam uma ponte, não o principal obstáculo.
Que Norte é esse?
Fica difícil imaginar os cenários económicos no Brasil, principalmente porque fica difícil imaginá-los em qualquer lugar do mundo.
Mas vamos dar um chute...
Inflação: segundo a matéria de antes na G1, a inflação parece chegar na meta do Governo sem muito esforço. Isso me leva pensar que há do que desconfiar. O BC pode cair na tentação de comemorar uma bem sucedida estratégia de Inflation-target, mas será que ele foi o responsável?
Se reconhecerem que são vários fatores ajudando, talvez seja hora de dar um ré na estratégia. Talvez, não seja necessário mexer por um tempo na selic.
Taxa de cambio: a projeção do mercado financeiro é de 2,30 até o final do 2009 e, surprendentemente, o mesmo valor para 2010. A minha dúvida é cómo isso poderá acontecer com a queda da balança comercial de USD 24,7 bi para USD 13 bi projetados para 2009. Vamos pensar que o Governo não pretenda mexer na cotação, haverá menos dólares no país e para compensar deverá haver menos demanda deles também.
Se assim for, ficaria de olho na Alfândega, pois se o governo precisar da nota verdinha, poderá ser tentado a trancar a porta de entrada.
Então, temos uma taxa selic baixa, matando esperanças de lucro fácil, o comercio exterior com queda importante (tratando de igual forma as impo e as expo), e uma estimação de taxa de câmbio inalterável. Quer dizer, o Brasil não receberá investimento muito maior, pois não deverá haver excesso de oferta, não teremos grandes mudanças na composição da balança comercial, e a inflação está ficando leve.
Será esse o cenário do país?
Mas vamos dar um chute...
Inflação: segundo a matéria de antes na G1, a inflação parece chegar na meta do Governo sem muito esforço. Isso me leva pensar que há do que desconfiar. O BC pode cair na tentação de comemorar uma bem sucedida estratégia de Inflation-target, mas será que ele foi o responsável?
Se reconhecerem que são vários fatores ajudando, talvez seja hora de dar um ré na estratégia. Talvez, não seja necessário mexer por um tempo na selic.
Taxa de cambio: a projeção do mercado financeiro é de 2,30 até o final do 2009 e, surprendentemente, o mesmo valor para 2010. A minha dúvida é cómo isso poderá acontecer com a queda da balança comercial de USD 24,7 bi para USD 13 bi projetados para 2009. Vamos pensar que o Governo não pretenda mexer na cotação, haverá menos dólares no país e para compensar deverá haver menos demanda deles também.
Se assim for, ficaria de olho na Alfândega, pois se o governo precisar da nota verdinha, poderá ser tentado a trancar a porta de entrada.
Então, temos uma taxa selic baixa, matando esperanças de lucro fácil, o comercio exterior com queda importante (tratando de igual forma as impo e as expo), e uma estimação de taxa de câmbio inalterável. Quer dizer, o Brasil não receberá investimento muito maior, pois não deverá haver excesso de oferta, não teremos grandes mudanças na composição da balança comercial, e a inflação está ficando leve.
Será esse o cenário do país?
Um jogo de expectativas
G1 informa que o Brasil terá crecimento zero, e uma queda na inflação.
Parecem previsões lógicas para o momento que o pais e o mundo estão vivendo. Primeiro, o Brasil tira R$ 15bi a semana passada do Orçamento da União, deixando passar uma mensagem de cautela e reconhecimento ao teor da situação. Segundo, a queda na inflação é reflexo da mesma trajetória no consumo.
Se colocarmos tudo junto, não há motivos para desconsiderar que embora o Governo não pareceu convencido até pouco tempo atrás, o Brasil infelizmente sofre dessa crise.
Acredito que o jogo de expectativas tinha sido a primeira estratégia do Lula, mas hoje não conta-se com essa margem. Porém, é um bom momento de começar gerar expectativas positivas, sim, mas na base de uma realidade de longo prazo.
Parecem previsões lógicas para o momento que o pais e o mundo estão vivendo. Primeiro, o Brasil tira R$ 15bi a semana passada do Orçamento da União, deixando passar uma mensagem de cautela e reconhecimento ao teor da situação. Segundo, a queda na inflação é reflexo da mesma trajetória no consumo.
Se colocarmos tudo junto, não há motivos para desconsiderar que embora o Governo não pareceu convencido até pouco tempo atrás, o Brasil infelizmente sofre dessa crise.
Acredito que o jogo de expectativas tinha sido a primeira estratégia do Lula, mas hoje não conta-se com essa margem. Porém, é um bom momento de começar gerar expectativas positivas, sim, mas na base de uma realidade de longo prazo.
domingo, 22 de março de 2009
De volta no ritmo
Embora não tenha conseguido sair de férias um mês, a minha ausência foi longe demais.
Escrever neste blog é um projeto pessoal e profissional ao mesmo tempo. Porém teve de reconsiderar o meu alvo, não sem ter redescoberto a minha empolgação com ele!
Assim como na vida mesma, sinto que preciso recomeçar... aí vou eu!
Escrever neste blog é um projeto pessoal e profissional ao mesmo tempo. Porém teve de reconsiderar o meu alvo, não sem ter redescoberto a minha empolgação com ele!
Assim como na vida mesma, sinto que preciso recomeçar... aí vou eu!
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