segunda-feira, 6 de julho de 2009
Vizinhos em problemas
Daí que o Brasil deva cobrar da Argentina mudanças na atitude comercial sem deixar de observar esses fatos. Mas, isso nos coloca em que posição?
Se o Brasil acreditar na visão que mais proteção prejudica ele, será uma questão de peso, isto é: uma análise de custo e benefício. Tem setores com projetos de investimento bem pesados na Argentina que o setor têxtil não vai sequer compensar.
Outro assunto são os possíveis negócios que o Brasil pode fazer uma vez que a Argentina não consiga atender a demanda interna de produtos do agro, causado pelo desinvestimento e o clima. Ou até mesmo quando ela decolar novamente.
No final pode parecer que o Brasil tem uma escolha do tipo: atender o reclamo do setor X e Y, ou procurar uma mudança na política comercial com a Argentina?
Tal vez, a atitude diplomática do Itamaraty surpreenda muito mais pelo resultado daquí há alguns anos do que pela "generosidade" de hoje.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Complexidade é a chave
Mesmo o fato de termos blogs para esprimir idéias simples, a vida precisa de uma visão complexa e a mente humana apresenta limites para isso. Mais do que nunca, o homem irá precisar de várias mentes para aprimorar os resultados da sua gestão, seja o que for o objeto dela.
Porém, penso no Brasil, no Governo dele, nos outros governos, nos nossos políticos e os alheios, naquelas empresas sem pátria, nos comunicadores, nos especuladores, e ainda não consigo enxeragar uma claridade. Será que essas noticias divergentes dizem algo além de que o mundo é complexo? Quem sabe quando irá acabar realmente a crise? que pode afirmar sem a sombra de dúvida quando começou?
Vejam só, o mercado interno no Brasil, dizem que parece reagir novamente, mas a industria não tem essa expectativa ou certeza. Os olhos do mundo parecem confiar no Brasil, mas só chega especulador nele. O Governo mostra-se confiante, mas o BC não espelha isso nas suas decisões.
O desafio todo é responder: o que podemos fazer? Aprender será sem dúvidas um desafio, mudar a forma em que interagimos e entendemos o mundo será outra.
No final, o fato de que "as idéias não morrem", faz com que não exista funeral e a gente não perceba que elas não fazem mais parte do nosso dia-a-dia.
Acredito que a cautela é uma ótima estrategia quando a gente anda na escuridão, não podemos nos apressar com o risco de diminuir as nossas opções no futuro.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O surfer e a Bovespa
Ouvi uma nova hipótese que fala sobre o início da crise, e achei bem legal. Ouvi ela junto com uma jornalista bem conceituada, e os dois achamos, mesmo que com instrumentos já conhecidos, bastante inovadora.
Em fim, o Alberto Ferrucci, disse que a crise começou quando, sobre-estimulados pelo crédito a baixo custo, os países em desenvolvimento começaram produzir muito mais do que antes, o que levou a um aumento das matérias primas. Basta-se relembrar a segunda crise do petróleo para saber o que veio depois.
Acho que é importante colocar a grande influencia que tem o setor financeiro deste momento atual, ele pode ter emitido sinais erradas para o mercado. De fato, os USA financiaram o seu consumo com a produção muito barata da China e outros países. Se não fosse pelos instrumentos atuais de divisas, eles não poderiam ter conseguido.
E o que vocês acham desse estímulo para produção nos países que adotaram Estratégias de Promoção de exportações? Justamente o alvo deles era o consumo externo, e não interno. Porém a realização desse projeto acabava na hora de exportar o produto, mas o importador quando ia realizar esse lucro? Será que o que a gente vê na prateleiras do supermercadinho foi concebido há muito tempo atrás? e quanto será que o dono aguardava ganhar com isso aí? e agora virou quanto?
Em fim, o mundo da economia real foi disfarçado com o êxtase do financeiro, e aí complicou.
O mundo não será igual, com certeza, se esses detalhes mudarem daqui pra frente. Mas não será ruim, acredito que só vai sobrar adrenalina para o surfer, não mais para o menino da Bovespa.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Se Krugman não mentir...
Mas vendo os argumento dos dois me pareceu que nem sempre existe o cuidado de respeitar a lógica económica. Vamos lá!
Suponhamos que estamos em 1994, começa o Mercosul e o Brasil era muito bom fazendo calças e Argentina era muito boa fazendo camisa. Quando liberarmos o comercio entre os dois é lógico que eles vão negociar entre eles mesmos.
Se nenhum dos dois era bom de fazer cinto, e eles erão importados da China, pode acontecer que a integração económica incentive un dos dois para produzir também o cinto. Na hora que o primeiro cinto argentino é exportado, podemos dizer que houve desvío de comercio, ele era importado pois o custo era menor, porém a China era mais eficiente para o Brasil do que Argentina, falando em fazer cintos. Só que agora, a Argentina tem uma competitividade artificial por causa do Acordo: isto é escencial para definir o desvio.
Então, existe desvío de comercio agora? de fato não, porque o Brasil e a Argentina já colocaram o acordo em função, porém a situação de partida é com os incentivos dele em funcionamento. Aliás, a China não está em situação vantajosa, ela está fora o Mercosul e os seus produtos pagam a maior tarifa possível.
O problema para o Brasil é que tornou-se menos competitivo do que a China no setor têxtil, e isso contando com uma vantagem. Acredito que há razões dos dois lados para isso acontecer.
Em todo caso, pode ser uma ótima oportunidade para aprimorar os mecanismos compensatórios entre os países, e criar políticas duradouras.
terça-feira, 24 de março de 2009
O desafio na nossa frente
Toda vez que o Governo falou sobre a crise, principalmente no início dela, parecia confiante demais. Aí precisamos nos perguntar se são eles tentando passar uma mensagem esperançadora para o povo, ou é o que eles realmente acreditam. As ações posteriores podem dar conta das diferenças.
A nossa taxa Selic precisa cair ainda mais, como já foi dito aqui, mas muitas outras coisas precisam ser replanejadas.
A estimativa de saída de capitais estrangeiros passou de R$ 3bi para R$ 10bi, colocando o assunto no centro da conversa. Se o BC pretende não gerar inflação, talvez seja o momento de se desapegar da idéia que a Selic vá mexer nesse quesito, e atacar o negócio dos capitais.
A nova estrutura bancária será mais uma falência se as nossas energias vão parar só no controle dos gigantes bancários. Não podemos nos esquecer que tanto públicos como privados, grandes e pequenos contribuiram á situação atual, de uma certa estabilidade. Porém, mexer na estrutura não garante que isso vai se repetir, temos de estar alertas!
Por último, é preciso lançar ações concretas para ativar o investimento e consumo e locomover a Economía, pois faltam só 3 trimestres para o Brasil corregir a trajetória com a que começou este ano.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Povoado pequeno, inferno grande....
Preciso lembrar que sou argentino e posso cair no vicio de julgar uma situação dessas desde o coração, mas o mesmo lembrete vale para os brasileiros, não é?
Então, fica claro que a atitude da Argentina sob a questão de importação dos produtos brasileiros é um grande pepino, e ainda mais numa crise dessas.
Não há exemplos mais claros para relembrar que as questões económicas tem efeitos globais, mais as suas causas são locais.
Embora as questões económicas e políticas, não haverá paz entre os vizinhos se não colocarem metas e objetivos para trabalhar junto. Fica difícil manter um matrimonio se não há comunicação, mas fica mais difícil ainda se quando forem dormir, cada um pensa num sonho diferente. O Mercosul pode se fortalezer das nossas diferenças, sempre que elas sejam uma ponte, não o principal obstáculo.
Que Norte é esse?
Mas vamos dar um chute...
Inflação: segundo a matéria de antes na G1, a inflação parece chegar na meta do Governo sem muito esforço. Isso me leva pensar que há do que desconfiar. O BC pode cair na tentação de comemorar uma bem sucedida estratégia de Inflation-target, mas será que ele foi o responsável?
Se reconhecerem que são vários fatores ajudando, talvez seja hora de dar um ré na estratégia. Talvez, não seja necessário mexer por um tempo na selic.
Taxa de cambio: a projeção do mercado financeiro é de 2,30 até o final do 2009 e, surprendentemente, o mesmo valor para 2010. A minha dúvida é cómo isso poderá acontecer com a queda da balança comercial de USD 24,7 bi para USD 13 bi projetados para 2009. Vamos pensar que o Governo não pretenda mexer na cotação, haverá menos dólares no país e para compensar deverá haver menos demanda deles também.
Se assim for, ficaria de olho na Alfândega, pois se o governo precisar da nota verdinha, poderá ser tentado a trancar a porta de entrada.
Então, temos uma taxa selic baixa, matando esperanças de lucro fácil, o comercio exterior com queda importante (tratando de igual forma as impo e as expo), e uma estimação de taxa de câmbio inalterável. Quer dizer, o Brasil não receberá investimento muito maior, pois não deverá haver excesso de oferta, não teremos grandes mudanças na composição da balança comercial, e a inflação está ficando leve.
Será esse o cenário do país?

